Mais um filme: Okuribito

Tô bolada [como o povo do RJ falava, quando eu morava lá]. Ontem eu até dei uma saída e fui jantar com duas amigas para desestressar um pouco, mas hoje, que eu planejava cortar os cabelos, ir à capital da província e ir ao mercado comprar cogumelos frescos para recheá-los com brie [estou MATANDO por isso!]… CHOVEU. Não que eu seja de açúcar e tal, mas choveu torrencialmente, ventou pra caramba, os vidros da minha janela ficaram batendo [achei que fossem quebrar] e teve trovões horríveis tenho medo de trovões, shame on me. E eu dependo de uma bicicleta. IMPOSSÍVEL pedalar hoje. Resultado: estou entediada, injuriada, com cabelos enormes e sem cogumelos. Fala sério. ¬¬”’

O lado bom é que passei o dia me empanturrando de brie [sem cogumelos! Hunf!] e assistindo filmes. E assisti “Okuribito“, que virou “A partida“, no Brasil. Como já tá virando hábito, chorei horrores. Não é exatamente um filme triste, mas é bonito e faz pensar. E o que é verdadeiramente bonito emociona, ora bolas.

Até uns dias atrás, tudo que eu sabia desse filme é que ele havia ganhado o Oscar de melhor produção estrangeira e que as emissoras de TV daqui ficaram um tempão falando sobre esse filme o tempo todo. Só que, como sempre, não dei a mínima. Primeiro porque não tenho o hábito de assistir TV [isso, desde antes de sair do Brasil] e só fui decorar o nome da película uns meses depois; segundo, porque falar “ganhou um Oscar” não tem o menor apelo sobre mim, então o Okuribito não estava mesmo no topo da minha lista de “por assistir”. De toda forma, finalmente parei para ver. E achei lindo.

Você para para maldito acordo ortográfico refletir em coisas como tabus, relacionamentos, sonhos, família, ideais, responsabilidade, perdão, mudanças de paradigma, respeito, amor, preconceitos, traumas… e tudo isso ouvindo Joe Hisaishi, que é um filho da mãe que sempre me faz chorar horrores tremendo compositor [é dele as trilhas de alguns filmes que adoro, como, por exemplo, Dolls, O castelo animado, Meu vizinho Totoro e Princesa Mononoke - é, ele trabalha pra caramba com o estúdio Ghibli]. Filme fodaço altamente recomendado.

Fiquei surpresa por encontrar um vídeo/resenha até decente sobre o filme no youtube [e é da Veja, então minha surpresa foi ainda maior].

Para entender qual o drama de Daigo e por que ele esconde seu novo ofício da própria esposa, é preciso saber um pouco mais da cultura japonesa. Há séculos que para eles o contato com cadáveres é considerada uma atividade impura. O desafio de Daigo é; portanto, mostrar por sua dedicação que seu trabalho é belo e tão digno quanto qualquer outro.
HOMEM NERD

A morte deixa de ser vista como plenamente material, e o diretor passa a extrair poesia e beleza dos últimos momentos do corpo na Terra. O trabalho do nokanshi é então compreendido como uma função nobre, que “limpa” o morto e dá-lhe a beleza que era sua em vida, deixa-o da melhor forma possível para que sua partida deste mundo seja digna, para seu último adeus para a família seja belo.
CULTURA DE BOLSO

Filmes

Para assistir. Sério. Mas, assim, serião. Mesmo.

Sou PÉSSIMA para escrever resenha de qualquer coisa, então não vou falar muito, só listar os filmes e alguns links escritos por pessoas que sabem o que estão escrevendo.

Eu só sei falar assim: ASSISTAM, PORQUE SÃO FILMES FODAS! \o/ Ou, ao menos, muito diferentes do que se está acostumado a ver no Ocidente [pelo menos, é diferente do que o povão, no geral, assiste].

MEMORIES OF MATSUKO
嫌われ松子の一生, Kiraware Matsuko no Isshō – 2006


Fiquei com cara de “WTF?” durante boa parte do tempo; esse filme me deixou mega deprê e quando não estava com cara de tacho, estava chorando. [shame on me]

Sem fazer spoilers, posso dizer-vos que o tema principal deste filme é o amor-próprio ou a falta dele, assim como a busca desse mesmo sentimento nas outras pessoas e todas as cabeçadas e lições da vida que daí advêm. Há muitas situações onde nos podemos rever de uma forma ou de outra com o que acontece aos personagens. Um filme que cumpre o seu objectivo, então: alto entretenimento aliado à transmissão de uma mensagem. Como toda a grande arte deveria ser.
*MAUS DA FITA

A estética de conto de fadas e de musical, que, numa primeira análise, vai contra o registo que o material original sugeriria é, afinal, uma emanação do desejo forte de Matsuko de conseguir ser feliz, num mundo onde parecem estar reunidas todas as condições, e mais algumas, para que o não seja.
*CINEDIE ASIA

DEPOIS DA VIDA
Wonderful Life, ワンダフルライフ, Wandafuru Raifu – 1998


Assisti pela primeira vez em 1998 ou 1999. Fiquei MUITO impressionada. Até hoje não consegui escolher uma única memória. =P

Depois da Vida nos mostra que, por mais dificuldades que possamos ter passado, haverá algum momento feliz que merece ficar registrado para a eternidade. A proposta é a de relevar todo o resto: assim deveríamos ter feito em vida. Depois da Vida nos dá a chance de nos vermos como alguém que pôde ser feliz, nem que seja por uma fração de segundos e que esta fração é o que realmente conta. É a felicidade o que conta e não, as mazelas mas que, diante delas, acabamos não registrando na memória que algumas vez, pelo menos uma, pudemos nos sentir bem dentro de nós mesmos, dentro de nossos corpos.
*CINEMA É A MINHA PRAIA

O filme também faz uma referência à artificialidade humana e também do cinema. (…) Isso serve para reforçar o caráter de falsidade das memórias, ontologicamente falando; mas isso não assume a postura de crítica. Uma certa hora, o chefe Nakamura diz que nossa percepção da lua varia de acordo com a luminosidade, mas que a lua em si não muda nunca; o mesmo pode ser dito sobre as memórias (ou sobre o filme em si). Todas as memórias escolhidas são, bem ou mal, coisas banais, seja um piquenique nos bambusais, ou uma dança de infância, ou mesmo o dia-a-dia de um casal (a única mais incrementada é um vôo de avião, que gera uma ótima sequência ao tentarem recriá-la no estúdio), mas são o que de mais significativo aconteceu para aquelas pessoas.
*CINE PLAYERS

GOZU
極道恐怖大劇場 牛頭 GOZU, Gokudō kyōfu dai-gekijō: Gozu – 2003


Okaaayyy… este É bizarro [nunca a palavra "bizarro" descreveu tão bem um filme como nesse caso]. E é também um filme nojento. E esquisito. E engraçado. E surreal. E perturbador. E te deixa com cara de “WTF?” em praticamente toda cena. E o diretor, Takashi Miike, é um anormal. Tenho medo dele.

Miike e o argumentista Sato Sakichi («Ichi the Killer») usam o yakuza eiga como ponto de partida para mais uma obra liberta de limitações estruturais, sem preocupações com a necessidade de fornecer explicações racionais para os acontecimentos estranhos que circundam a personagem central.
*CINEDIE ASIA

Gozu é, sem dúvida, o filme mais visual e psicologicamente marcante dos últimos anos. A narrativa é totalmente absorvida pelas situações sem nexo, aproximando-se este filme de um género inédito, original e perverso. Tudo o que se poderia contar nesta crítica não deve ser contado. As situações e as imagens tomam conta do espectador, e nesse momento ou saimos a meio do filme, ou imploramos por mais uma viagem ao mundo fantasista que só Miike pode criar.
*CINE ANARQUIA

Eu poderia deixar vinte milhões de links para resenhas e não daria para sequer dar uma idéia do que é a bizarrice em questão… “poderia”, mas quase não achei resenhas sobre esse filme =P As melhores resenhas que encontrei estão em inglês: Lunch, L.A. Times, Celluloid Dreams e Asian Film Reviews.

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ENCONTROS E DESENCONTROS
Lost in Translation – 2003


Não é um filme japonês, a diretora não é japonesa, os atores principais não são japoneses. A história, embora aconteça no Japão, não é sobre o Japão. E sobre esse filme eu posso me pronunciar, porque me identifico com ele em alguns aspectos.

Eu sou descendente de japoneses e fui criada de acordo com muitos costumes japas [como dá pra ver nesse post], mas sou MUITO ocidental também. Por isso, sempre fui uma estranha no Brasil e continuo sendo uma estranha no Japão. Mesmo convivendo com outros descendentes, sempre sou “a” estranha. Como sempre foi assim, eu meio que me acostumei, mas tem hora que enche o saco se sentir “a” deslocada e daí dá vontade de se ajustar um pouco [se bem que eu nunca me ajustei e duviiiido que um dia isso vá acontecer]. Então eu sofro choque cultural no Brasil, no Japão, na colônia japonesa no Brasil e na colônia brasileira no Japão.

Nesse filme, as personagens principais [e, olha, mais um ponto em comum, profissões "incomuns"; as personagens são uma filósofa e um ator - eu fiz artes visuais e acho que todas essas profissões são para quem "gosta" de sofrer porque a gente se questiona o tempo todo e só tem dúvidas e mais dúvidas e nenhuma resposta reconfortante =P], além de sofrer de insônia com o fuso horário, também se sentem deslocadas… costumes diferentes, idioma diferente, paisagem diferente [a paisagem urbana do Japão é MUITO diferente - ...e a rural também =p], gestos diferentes, tudo diferente. E eles se aproximam porque, entre outras coisas, enxergam algo familiar um no outro. Eu tenho alguns momentos de ÓDIO por essas personagens, porque eles não se esforçam realmente para absorver algo diferente para eles, em termos de cultura [o que, para mim, é importantíssimo], o que poderia enriquecer suas formas de encarar o mundo, e ficam com cara de cu no bar do hotel, mas deixa pra lá…

Só que eu entendo essa sensação de insegurança, deslocamento, solidão e estranhamento deles e acabo pensando em várias coisas… e é isso o que me faz gostar tanto desse filme. \o/

Lost in Translation é estar num momento em que você não sabe exatamente o que fazer de sua vida, qual caminho seguir, mais questionamentos que respostas surgem dentro de você, mas você sabe que deve continuar caminhando, apesar de não saber direito para onde. Creio que qualquer um de nós sabe exatamente qual é a sensação. (…) Encontros e Desencontros é como um pedaço da vida real destacado do mundo cotidiano e imortalizado em película: é engraçado, mas ainda sim triste, é belo e, entretanto, duro e cruel. É, enfim, essencialmente humano.
*A GALÁXIA

Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, é um filme engraçado, doce e também amargo, que utiliza o deslocamento cultural como metáfora para descrever pessoas que ficaram deslocadas em suas próprias vidas.
*TERRA

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Don Don Matsuri – parte 2


Umas apresentações de danças tradicionais; não sei que tipo de dança é, mas as senhoras das segunda e terceira fotos, seguramente, estavam dançando sobre histórias trágicas de amor.


Essa gente toda estava se apresentando ao mesmo tempo, então não sei se são danças diferentes apresentadas ao mesmo tempo ou se é tudo a mesma dança. Só sei que no meio também tinha um povo dançando o yosakoi soran – mas não tenho idéia se essa bandeira gigante tem a ver com a dança [eu = total perdida]. Só sei que esse moço segurando a bandeira-monstro fazia muita cara de “uuunnngh, que pe…sa…do…”. Tinha mais gente com bandeiras enormes, mas a dele parecia que era a mais pesadona mesmo.


Banda do corpo de bombeiros


“Maeda Toshitsune”


Banda de um colégio – eles encerraram o festival.
E tocaram a música-tema de “Ponyo no penhasco à beira do mar”. Eu, obviamente, fiquei pulandinho bem idioticamente e uma criança de uns 5 anos ficou olhando pra mim com cara de “wtf?” hahahaha


Anão japs. Primeira vez que vi [eu sabia que existiam anões por aqui, mas nunca tinha visto; já estava achando que era lenda urbana]. =O



Público – crianças saindo pelo ladrão.
Droga, eu nem posso tirar sarro do cara da última foto porque eu passei um booom tempo me equilibrando nesses toquinhos também pra tirar fotos daquele povo que dançava ao mesmo tempo e do carinha da bandeira gigante [ninguém mandou eu ser baixinha u_u']

Don Don Matsuri – parte 1

Ontem [11 de outubro eu sei que tá aparecendo dia 11 na postagem, mas agora já é manhã do dia 12] aconteceu a 34ª edição do Don Don Matsuri (どんどん まつり), um festival que acontece todos os anos aqui na cidade em que moro. Este é meu segundo ano no Japão e no ano passado não fui em nenhuuum festival porque o trampo estava bombando. Esse ano, a gente tá com beeeeeeeeem menos trabalho (o que, por um lado, é uma droga. =/), então este foi meu PRIMEIRO festival no Japão. *__*

“Don Don”, me explicaram, tem esse nome por causa das músicas apresentadas, que tem batidas bem marcadas (“don don” é onomatopéia para batida de tambor…), mas, sei lá… se for isso, o nome tá beeem diferente da realidade, porque teve um tiozinho que ficou cantando só com o tecladinho dele e um outro que cantou sem acompanhamento nenhum [e uma musiquinha arrastaaaaaaaadaaaa... deu um sooonooo =P]

Enfim. Não achei nenhuma informação sobre o festival [quer dizer, nenhuma que eu conseguisse ENTENDER], então eu meio que boiei no festival, mas teve apresentações de grupos escolares [desde pivetinhos que mal sairam das fraldas até adolescentes], de um pessoal mais velho que fazia ginástica ritmica, da bandinha dos bombeiros, da bandinha de um colégio, de um pessoal que fez dança do ventre, de um sujeito fantasiado de Maeda Toshitsune, de um pessoal mais velho que, quando cheguei, já estava se apresentando com espadas [tai chi chuan?], de yosakoi soran, tinha também uns carros e tratores expostos [sei lá por que], também tinha taiko [muuuuito taiko; acho que é mais o taiko que justifica o nome do festival]… nem vi tudo, porque estava tudo acontecendo ao mesmo tempo. Tinha uns 3 palcos e muuuuuuitas barraquinhas de comida e de brincadeiras espalhados por algumas ruas.

E crianças! Como tem criança nessa cidade! Àqueles que dizem que o Japão tem poucas crianças, venham dar um pulinho em Komatsu. Pelamor, fui atropelada umas 15 vezes por uns meio-quilos. [Talvez a população infantil desse país esteja concentrada nessa região; é mole-mole ver famílias com 3 ou 4 filhos por aqui]. E… vi um anão tocando flauta! NUNCA tinha visto anão japs! =O


Tai chi chuan?


Grupo escolar – essa molecada tava dançando uma música da Beyonce [suuuuper tradição japs!], mas não tenho idéia de que música seja. [Só sei que é Beyonce porque a letra falava "I am Sasha Fierce" =P]


Ginástica ritmica [exercícios bem leves com a bolinha; depois elas fizeram com uns pompons, mas como eu não tenho paciência -tava achando meio monótono-, mas tenho fome, larguei as tias e fui devorar uma batata cozida no vapor com muuuita manteiga por cima nham nham *_*]


Molecada fofa de uma creche tocando taiko


Mais molecada no taiko, mas daí não sei se ainda são creche ou se são mais velhos


Grupo que apresentou umas 3 ou 4 danças do ventre com véu


Equipe esportiva Dynamic [repitam: "dainamicu"]


Grupo de taiko muuuuito foda [esse tiozão de azul marinho é o instrutor do grupo; mó cara de mau!]

Mais fotos do aquário

Edifício norte

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Edifício sul

A Vida Marinha ao Redor do Japão


Hmmmm caranguejão gigante cozido com shoyu, gengibre e mirin… nham nham nham

A Vida Marinha Tropical


Tratador de peixes mais legal ever! Ele posou pra minha foto, mas peixes malvados entraram na frente da cara dele! Hunf!