Feliz (quase) Natal

Tá, o Natal já foi, mas enfim…

Eu não consigo entrar no clima de Natal aqui. Tem enfeite nas lojas e tal, mas NÃO ROLA clima natalino nesse país. Enfeite de Natal na rua? Uma ou outra luzinha [em cidades maiores até rola mais enfeite, mas aqui, cidadezinha do interior com pouco mais de 110 mil habitantes… sério, não rola. [Rá! Onde vim parar? Saí de São Paulo, num país com tradição católica, que tem SÓ 11 milhões de habitantes a mais que Komatsu, num país primordialmente xintoísta e budista, e tô esperando clima natalino? =P]

Ceia de Natal? Não existe. Naaaaada do que minha família costuma fazer nessa época, lá no Brasil, existe por aqui. Peru assado? Não. Tender com abacaxi ou laranja? Não. Lombinho recheado? Não. Arroz com passas? Não. Panetone? Não. Chocotone? Não. Rabanada? Não. Castanhas? Não. Camarão com molho de catupiry? Não [mesmo porque NÃO EXISTE catupiry por aqui! Pavoroso!]. Salada de maionese? Não. – chega, fiquei com fome só de lembrar …=P

Natal com a família? Só a brasileirada mesmo. E os católicos [sejam japoneses, peruanos, etc.]. Aqui, japonês passa o Natal trabalhando. É um dia normal, como outro qualquer. Quando rola algum tipo de comemoração, é homem com mulher [ou mulher com mulher ou homem com homem, vai saber a preferência], em motel. Árvore de Natal? De novo, só quem tem o costume. E em algumas lojas de departamento e shoppings. Luzes na rua? Nope. Ou quase nada. Prédios enfeitados com luzinhas, como os da Paulista? Faz-me rir.


Isso non ecziste no Japón. (Fonte da imagem)

O que tem aqui é o Bolo de Natal [Kurisumasu Keeki ~ “Christmas cake”), que é, basicamente, um bolo parecido com pão de ló com cobertura de chantily e alguma fruta vermelha [normalmente, morango]. Só. Até existem algumas variações, mas o “clássico” é isso aí.

Tenho que dizer que eu ADORO esses bolos, mas, meu, NUNCA que isso me remete a Natal. Gosto porque é macio e não é muito doce. Na verdade, amo os doces do Japão, então sou suspeita pra falar qualquer coisa.


O bolo branco é o Bolo de Natal tradicional. Os outros são as variações. (Fonte) Olha o tamanhozinho desses bolos. Isso é que mata. Como essa gente consegue ser feliz pagando caro por uns bolos tão pequenos? [eu acho caro pagar cerca de 50 reais – pra mais- por um bolinho que tem o diâmetro mais ou menos igual ao diâmetro de uma pizza brotinho ~ ainda que esse seja o preço normal de qualquer bolo confeitado por aqui=P]

Ah! E tem os cartõs de Natal! Um mais fofo que o outro [e, óbvio, caros também]. Enfim. Natal no Japão não é muito mais que isso não.

Feliz quase Natal atrasado! =P

Kairo!

Formas de se escrever kairo em japonês:
Kanji: 懐炉
Hiragana: かいろ
Katakana: カイロ

O Inverno chegou. Saco. Na verdade, tecnicamente, ainda é Outono, mas já está bem frio. E já nevou dois dias aqui onde moro e, para mim, neve = Inverno. No Inverno passado, até tirei duas fotos para comparar a friaca que é aqui, em relação ao Outono. [Pense pelo lado bom, Miyuki. Você podia estar em Hokkaido =P]


Eu durante essa “delícia” de Inverno =P

Só que os japoneses bonitos inventaram uma coisa muito muito muito linda e fofa e mega boa e tudo de bom e super útil e que é o mááááximo e me ajuda a sobreviver na friaca nipônica. Chama-se “kairo”. Eu não sei nem se isso tem tradução em português, mas basicamente é uma almofadinha que esquenta e que evita que seus ossos congelem.

Existem de dois tipos, pelo que andei vendo, o descartável e o reutilizável [que eu nunca vi; se vi, nunca reparei] mas assim… na prática, eu só compro um, o descartável, que é muuito prático: é comprar, tirar da embalagem e ser feliz! Funciona como uma bolsa de água quente, mas sem água, leve, prático e pequeno [sim, ADORO coisas práticas; se não é prático, não é bom =P]. Eu sempre tenho uns 3 ou 4 na bolsa.

O pacote, geralmente, é assim: um saquinho plástico contendo 10 embalagens plásticas dentro e cada embalagem tem uma “almofadinha”. Quando você abre uma dessas embalagens individuais, essa almofadinha tá fria, à temperatura ambiente [ou seja, ambiente gelado = almofadinha gelada]. Aí você espera um pouquinho [tem quem dê uma esfregadinha com as mãos na almofadinha, mas não influi em nada] e o treco começa a esquentar, esquentar, esquentar… o quentinho dura cerca de VINTE horas! E esquenta muuuito! Segundo o fabricante, esse treco fica entre 40ºC e 53ºC, mas chega a picos de 63ºC!!!! Contato direto com a pele queima. Não recomendo.


Embalagem normal, com 10 unidades dentro


Uma embalagem individual – essa coisa branca é a tal amofadinha

Vem em vários formatos: retângulos médios e pequenos, com ou sem cola para grudar na roupa [é tipo colinha porcaria de absorvente externo: se desgrudou uma vez do tecido, nunca mais cola de novo], bem pequenininho para enfiar dentro do sapato, saquinhos para colocar dentro do bolso, voltado para uso médico… para mim, o retângulo médio [13×9,5cm] com a tal colinha porcaria é ideal. Grudo na blusa e fico feliz.


Saquinho para colocar dentro do bolso


Embalagem com kairos pequenininhos, com um case fofo para colocar a almofadinha dentro e, assim, evitar contato direto com a pele. Aí é só jogar no bolso.

Vende em qualquer lugar: farmácia, hyakuen [o 1,99 daqui – aliás, um dia eu tenho que escrever sobre o hyakuen, que é, tipo, the best thing desse país! /o/], combini [lojas de conveniência], supermercado… Esses dias comprei um pacotinho econômico bastante singelo na farmácia, contendo TRINTA kairos. Pesado pra caramba, a bicicleta quase tombou o__O [o fato de eu também ter enfiado no cesto da bike, além da caixa de kairo, 5 caixas de lenço + pacotão com lenços de bolso + pacote com DEZOITO rolos de papel higiênico + 2 xampus nem contribuiu em naaaaaada para isso hohoho]


Caixinha meiga com 30 unidades. Foi uma dessa que comprei [mas de outra marca, que estava em oferta – metade do preço! /o/

Dentro de cada saquinho tem uns grãozinhos – parece areia. O povo fica imaginando que seja carvão ou rocha vulcânica e eu fico imaginando que essa gente come cocô porque naonde que carvão fica quente assim à toa? E rocha vulcânica, além de não ser a coisa mais fácil de se comprar na esquina, também não deve ficar quente desse jeito, por nada. Porque… meu, o povo não pensa, que raiva! Se o treco saiu da fábrica frio, quando você abre tá frio e só depois que você abre a embalagem plástica é que o treco esquenta, NUNCA que ia ser carvão ou uma porcaria de rocha vulcânica esfarelada. Tipo… hello-o! Se assim fosse, o treco seria quente o tempo inteiro e não ia ficar frio depois de 20 horas. Como diria minha vó: essa gente acha que cabeça serve só para ser suporte de chapéu. ¬¬””’


Modelo para colocar dentro do sapato


Modelo de sapato [espécie de pantufinha] para usar em casa ou no serviço -se for permitido- com espaço para encaixar o kairo dentro

Eu tinha certeza de que tinha algum treco químico aí dentro, mas não sabia o quê. Pelo que me traduziram mais ou menos, rola alguma coisa de ferro [que a gente não entendeu o que era] e é a oxidação dessa coisinha de ferro que produz o calor. E essa oxidação começa quando você abre a embalagem plástica e o ferro entra em contato com o ar. Então, nada de carvão de fim de churrasco ou rocha de vulcão esfarelada! =P Só sei que se um dia eu voltar ao Brasil vou levar um LOTE desses trecos comigo. Afinal, São Paulo também tem umas madrugadas bem frias…




Modelos para uso médico [na verdade, é do tipo self medication: você não precisa de nenhuma receita médica para poder comprar]. Alivia dores e eu não sei se tem alguma coisa especial na composição, porque nunca comprei… Para dor nas costas, uso o velho e bom [e fedorento] Salonpas mesmo – porque aqui não tem Emplastro Sabiá, então a gente se vira com o que tem… hohoho