Filmes

Para assistir. Sério. Mas, assim, serião. Mesmo.

Sou PÉSSIMA para escrever resenha de qualquer coisa, então não vou falar muito, só listar os filmes e alguns links escritos por pessoas que sabem o que estão escrevendo.

Eu só sei falar assim: ASSISTAM, PORQUE SÃO FILMES FODAS! \o/ Ou, ao menos, muito diferentes do que se está acostumado a ver no Ocidente [pelo menos, é diferente do que o povão, no geral, assiste].

MEMORIES OF MATSUKO
嫌われ松子の一生, Kiraware Matsuko no Isshō – 2006


Fiquei com cara de “WTF?” durante boa parte do tempo; esse filme me deixou mega deprê e quando não estava com cara de tacho, estava chorando. [shame on me]

Sem fazer spoilers, posso dizer-vos que o tema principal deste filme é o amor-próprio ou a falta dele, assim como a busca desse mesmo sentimento nas outras pessoas e todas as cabeçadas e lições da vida que daí advêm. Há muitas situações onde nos podemos rever de uma forma ou de outra com o que acontece aos personagens. Um filme que cumpre o seu objectivo, então: alto entretenimento aliado à transmissão de uma mensagem. Como toda a grande arte deveria ser.
*MAUS DA FITA

A estética de conto de fadas e de musical, que, numa primeira análise, vai contra o registo que o material original sugeriria é, afinal, uma emanação do desejo forte de Matsuko de conseguir ser feliz, num mundo onde parecem estar reunidas todas as condições, e mais algumas, para que o não seja.
*CINEDIE ASIA

DEPOIS DA VIDA
Wonderful Life, ワンダフルライフ, Wandafuru Raifu – 1998


Assisti pela primeira vez em 1998 ou 1999. Fiquei MUITO impressionada. Até hoje não consegui escolher uma única memória. =P

Depois da Vida nos mostra que, por mais dificuldades que possamos ter passado, haverá algum momento feliz que merece ficar registrado para a eternidade. A proposta é a de relevar todo o resto: assim deveríamos ter feito em vida. Depois da Vida nos dá a chance de nos vermos como alguém que pôde ser feliz, nem que seja por uma fração de segundos e que esta fração é o que realmente conta. É a felicidade o que conta e não, as mazelas mas que, diante delas, acabamos não registrando na memória que algumas vez, pelo menos uma, pudemos nos sentir bem dentro de nós mesmos, dentro de nossos corpos.
*CINEMA É A MINHA PRAIA

O filme também faz uma referência à artificialidade humana e também do cinema. (…) Isso serve para reforçar o caráter de falsidade das memórias, ontologicamente falando; mas isso não assume a postura de crítica. Uma certa hora, o chefe Nakamura diz que nossa percepção da lua varia de acordo com a luminosidade, mas que a lua em si não muda nunca; o mesmo pode ser dito sobre as memórias (ou sobre o filme em si). Todas as memórias escolhidas são, bem ou mal, coisas banais, seja um piquenique nos bambusais, ou uma dança de infância, ou mesmo o dia-a-dia de um casal (a única mais incrementada é um vôo de avião, que gera uma ótima sequência ao tentarem recriá-la no estúdio), mas são o que de mais significativo aconteceu para aquelas pessoas.
*CINE PLAYERS

GOZU
極道恐怖大劇場 牛頭 GOZU, Gokudō kyōfu dai-gekijō: Gozu – 2003


Okaaayyy… este É bizarro [nunca a palavra “bizarro” descreveu tão bem um filme como nesse caso]. E é também um filme nojento. E esquisito. E engraçado. E surreal. E perturbador. E te deixa com cara de “WTF?” em praticamente toda cena. E o diretor, Takashi Miike, é um anormal. Tenho medo dele.

Miike e o argumentista Sato Sakichi («Ichi the Killer») usam o yakuza eiga como ponto de partida para mais uma obra liberta de limitações estruturais, sem preocupações com a necessidade de fornecer explicações racionais para os acontecimentos estranhos que circundam a personagem central.
*CINEDIE ASIA

Gozu é, sem dúvida, o filme mais visual e psicologicamente marcante dos últimos anos. A narrativa é totalmente absorvida pelas situações sem nexo, aproximando-se este filme de um género inédito, original e perverso. Tudo o que se poderia contar nesta crítica não deve ser contado. As situações e as imagens tomam conta do espectador, e nesse momento ou saimos a meio do filme, ou imploramos por mais uma viagem ao mundo fantasista que só Miike pode criar.
*CINE ANARQUIA

Eu poderia deixar vinte milhões de links para resenhas e não daria para sequer dar uma idéia do que é a bizarrice em questão… “poderia”, mas quase não achei resenhas sobre esse filme =P As melhores resenhas que encontrei estão em inglês: Lunch, L.A. Times, Celluloid Dreams e Asian Film Reviews.

**********

ENCONTROS E DESENCONTROS
Lost in Translation – 2003


Não é um filme japonês, a diretora não é japonesa, os atores principais não são japoneses. A história, embora aconteça no Japão, não é sobre o Japão. E sobre esse filme eu posso me pronunciar, porque me identifico com ele em alguns aspectos.

Eu sou descendente de japoneses e fui criada de acordo com muitos costumes japas [como dá pra ver nesse post], mas sou MUITO ocidental também. Por isso, sempre fui uma estranha no Brasil e continuo sendo uma estranha no Japão. Mesmo convivendo com outros descendentes, sempre sou “a” estranha. Como sempre foi assim, eu meio que me acostumei, mas tem hora que enche o saco se sentir “a” deslocada e daí dá vontade de se ajustar um pouco [se bem que eu nunca me ajustei e duviiiido que um dia isso vá acontecer]. Então eu sofro choque cultural no Brasil, no Japão, na colônia japonesa no Brasil e na colônia brasileira no Japão.

Nesse filme, as personagens principais [e, olha, mais um ponto em comum, profissões “incomuns”; as personagens são uma filósofa e um ator – eu fiz artes visuais e acho que todas essas profissões são para quem “gosta” de sofrer porque a gente se questiona o tempo todo e só tem dúvidas e mais dúvidas e nenhuma resposta reconfortante =P], além de sofrer de insônia com o fuso horário, também se sentem deslocadas… costumes diferentes, idioma diferente, paisagem diferente [a paisagem urbana do Japão é MUITO diferente – …e a rural também =p], gestos diferentes, tudo diferente. E eles se aproximam porque, entre outras coisas, enxergam algo familiar um no outro. Eu tenho alguns momentos de ÓDIO por essas personagens, porque eles não se esforçam realmente para absorver algo diferente para eles, em termos de cultura [o que, para mim, é importantíssimo], o que poderia enriquecer suas formas de encarar o mundo, e ficam com cara de cu no bar do hotel, mas deixa pra lá…

Só que eu entendo essa sensação de insegurança, deslocamento, solidão e estranhamento deles e acabo pensando em várias coisas… e é isso o que me faz gostar tanto desse filme. \o/

Lost in Translation é estar num momento em que você não sabe exatamente o que fazer de sua vida, qual caminho seguir, mais questionamentos que respostas surgem dentro de você, mas você sabe que deve continuar caminhando, apesar de não saber direito para onde. Creio que qualquer um de nós sabe exatamente qual é a sensação. (…) Encontros e Desencontros é como um pedaço da vida real destacado do mundo cotidiano e imortalizado em película: é engraçado, mas ainda sim triste, é belo e, entretanto, duro e cruel. É, enfim, essencialmente humano.
*A GALÁXIA

Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola, é um filme engraçado, doce e também amargo, que utiliza o deslocamento cultural como metáfora para descrever pessoas que ficaram deslocadas em suas próprias vidas.
*TERRA

Publicado em diversos, filmes. 1 Comment »

Uma resposta to “Filmes”

  1. melodyfairy Says:

    Adooooro o Wandafuru Raifu e o Lost in Translation!!! Estao entre meus filmes preferidos (e tbm ainda nao fui capaz de escolher uma memória…)
    Os outros vou tentar baixar!!! Parecem mto bons! Principalmente o primeiro, me interessou bastante!
    Bjuus Miyuki!!


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