Último post (por enquanto)

Uma mudança brusca, inesperada, aconteceu e, de repente, minha estadia no Japão acabou.

Uma amiga mandou um poema de Manuel Bandeira que traduz bem o que se passa nesse momento:

O Mário de Andrade ausente

Anunciaram que você morreu.
Meus olhos, meus ouvidos testemunharam:
A alma profunda, não.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Sei bem que ela virá
(Pela força persuasiva do tempo).
Virá súbito um dia,
Inadvertida para os demais.
Por exemplo assim:
À mesa conversarão de uma coisa e outra.
Uma palavra lançada à toa
Baterá na franja dos lutos de sangue.
Alguém perguntará em que estou pensando,
Sorrirei sem dizer que em você
Profundamente.

Mas agora não sinto a sua falta.
(É sempre assim quando o ausente
Partiu sem se despedir:
Você não se despediu.)

Você não morreu: ausentou-se.
Direi: Faz tempo que ele não escreve.
Irei a São Paulo: você não virá ao meu hotel.
Imaginarei: Está na chacrinha de São Roque.

Saberei que não, você ausentou-se. Para outra vida?
A vida é uma só. A sua continua
Na vida que você viveu.
Por isso não sinto agora a sua falta.

Mas, né, não preciso estar no Japão para escrever sobre esse país feliz. Daqui a pouco eu volto (“daqui a pouco” beeem entre aspas porque ainda tenho uma pedreira grande para encarar… u_u’).

Tchau, Japão! Tiamu! Quando der, eu volto! _o/

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