hyakuen

Hyakuen shop = 1,99 daqui.

Eu sempre tive a intenção de escrever sobre esses lugares mágicos e felizes onde todo mundo é alegre e unicórnios existem essas lojas, mas ou eu esquecia ou ficava com preguiça.

Daí que aqui tá SUPER direitinho, com fotos e tudo. As postagens são meio antiguinhas, mas nada mudou:

http://100ienshop.blogspot.com/

Visitem o link; hyakuen = coisa genial que ABSOLUTAMENTE ADOOORO!! ♥♥♥♥♥

Eu fico comparando as lojas de 1,99 com os 100en shops e me dá uma tristeeeza…

Fotos: 1,99 e 100en

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Ê, colônia!

De vez em nunca, faço uma limpa nos meus emails e aí deu que achei esse aí [que recebi há anos].
aplica-se ao meu caso
não se aplica ao meu caso

***

“Você é um nikkei brasileiro se:”

1. Seus avós (ou seus pais) se casaram por omiai (casamento arranjado) Meus avós! E, até onde sei, um dos meus tios também
2. Você tem algum parente nissei que se chama Mário, Paulo ou Jorge. Luiz/Luís também!
3. Você tem alguma parente nissei que se chama Rosa, Alice, Kazuko ou Yoshiko.
4. Os homens da sua família eram sitiantes, chacareiros, tintureiros ou quitandeiros.
5. As mulheres da sua família eram sitiantes, chacareiras, tintureiras ou quitandeiras e além disso, cuidavam da casa e dos filhos.
6. Todos os seus primos e sobrinhos estão tendo filhos mestiços. Na verdade, não tenho sobrinhos e nenhum dos meus primos ainda teve filhos, mas a tendência é exatamente essa [e quase metade dos meus primos são mestiços]
7. Você checa na casa de seus amigos nisseis se tem que tirar os sapatos. No Brasil, o único lugar em que eu fazia isso era no quarto de um amigo meu… que NÃO é nikkei – mas aqui no Japão não tem jeito… até na minha casa é assim por aqui
8. Seus pais ou seus avós compraram o primeiro carro ou a casa com dinheiro de tanomoshi. Não, mas conheço gente em cujo caso a resposta é sim
9. Quando você visita algum parente nissei sabe que tem que levar omiyague (presente/lembrança). Nem sempre, mas muitas vezes sim. Especialmente se a gente viaja, SEMPRE rola um omiyague. E omiyague pode ser qualquer coisa… até um saco de mexericas para a sobremesa – porque em qualquer família japonesa que se preza SEMPRE rola mexerica
10. Quando você sai de um casamento de nissei você leva as sobras da comida da festa pra casa. CERTEZA! O mesmo vale pras missas da família – senão, que graça tem? huahuahauhaa

11. Você sabe quem é Rosa Miyake.


Fez parte da minha infância!!!! E da infância da minha mãe também!!!

12. Você usa Salompas para as suas dores musculares nas costas.
13. Você dançou em bailes do kaikan (Associação de Nipo-brasileiros) da sua cidade. Não, porque eu não curto dançar, mas acho que passei metade da minha infância indo pras festas de vários kaikans, já que em SP tem vários… e competição de karaoke em kaikan? Perdi as contas de quantas assisti… =P
14. Tem briga para pagar a conta do restaurante.
15. Você insiste em colocar dinheiro no bolso do paletó de quem pagou a conta do restaurante. Uma amiga já fez isso comigo! Eu dei metade do dinheiro da conta e ela simplesmente enfiou meu dinheiro no meu jeans de novo! A gente tinha… sei lá, 14, 15 anos.. .fiquei chocada! Pra mim, só os mais velhos é que faziam isso, mas ela me provou que eu estava bem errada.
16. Você entrega koden nos funerais de nisseis. É um dinheiro que se dá à família do falecido para ajudar com as despesas do funeral; como agradecimento, a família entrega um presentinho simbólico, como uma toalhinha, um pratinho… Só que o dinheiro do koden tem de ser entregue num envelope próprio para isso; este link explica direitinho, no final da página
17. Jogam sal em você antes de entrar em casa na volta de um funeral. Quando vai todo mundo, a gente já deixa um pires com sal prontinho na porta de entrada, pra poder se purificar sem ter que enfiar o pé dentro de casa [sim, o sal é pra purificar a gente]
18. Você não precisa ler instruções para usar ohashi.

19. A sua família assiste ao kohaku utagassen na véspera do Ano Novo. E eu SEMPRE torço pro Mikawa Kenichi ganhar da Sachiko Kobayashi! E olha que nem gosto de enka, mas perua por perua, fico com a perua drag que é mais divertido!


Mikawa é esse respeitável senhor que aparece no primeiro vídeo; depois vem a Sachiko Kobayashi. Normalmente eu acho que a Sachiko tem um senso estético melhor menos escalafobético um tiquinhozinho menos drag que o Mikawa na verdade, esses dois tão pau a pau, mas o Mikawa é sempre mais divertido, então eu torço sempre pro Mikawa!!! =D

20. Você come soba na véspera do Ano Novo.
21. Você come ozoni no dia do Ano Novo. Mas como detesto o mochi molenga [creepy!] no meio do ozoni, bebo o caldinho e o mochi eu como frito, à parte
22. Você leva bentô para ir pra praia, undo-kai, ou pro parque de diversão Também levava pra escola, pra faculdade, levo pro serviço, levo quando faço piquenique, levo quando viajo de ônibus… os tiozinhos lá levando salgadinho, sanduíche, e eu lá, com meu onigiri – e nem ligo se estou pagando mico hahahahaha
23. Você participava ou participa de undo-kais. Só ganhava prêmio de consolação, mas deixa quieto… ADORAVA ganhar arroz doce e lápis! /o/
24. Você não sente que teve uma refeição se não comeu gohan (arroz japonês). Não chego a tanto, mas conheço um tiozinho que enfia gohan dentro de pastel!!! o_O Pastel frito, de feira. O tiozinho enfia gohan dentro daquilo! o__O
25. Além do sal, pimenta, óleo de oliva, você tem também shoyu na mesa de refeição. Sal? Que sal? Muuuito raramente tem sal na mesa, mas shoyu é de lei!!!
26. Você fala itadakimassu (um tipo de agradecimento pela comida, ou algo do tipo) antes de começar a comer. Ultimamente não tenho falado, mas até uns 2 anos atrás, era todo dia… mesmo quando estava sozinha huahuahauhaua
27. Você diz gotsosama (algo como “estou satisfeito”) depois que termina a sua refeição. Até hoje!!!
28. Você não pode deixar resto de comida porque é mottainai (desperdício) e existem milhões de crianças passando fome pelo mundo afora. Benzadeus, como fui obrigada a ouvir isso na vida!!!!
29. Você come okayu (papa de arroz) quando doente. Não como porque detesto… mas já fui obrigada a comer isso quando era criança
30. Na sua casa sempre tem tsukemono na geladeira. E é meu pai quem faz huahuahauhaa
31. Sua avó continua cozinhando usando aji-no-moto, nem aí com os noticiários contra o uso. Minhas avós, meus pais, eu e minha irmã!
32. Leite te dá azia e cerveja te deixa vermelho Leite, só desnatado, de vez em quando, e não passo de um copo, senão passo mal o resto do dia… e eu não gosto de cerveja. =P Aliás, tive um chefe aqui no Japão que, com dois copinhos de cervejinha daqui -que me disseram que é mais leve que a do Brasil-, virou um rabanete! Além de ter ficado COMPLETAMENTE beudo, de cruzar as pernas e tudo huahauhauahuahauaa]
33. Disseram pra você comer nori para que seus cabelos ficassem sempre pretos. Nunca ouvi isso o__O

34. Você conhece a história de Momotaro. Também sei a música!!!!!! =D [mó sem noção esse Momotaro! A música fala, basicamente, assim: “Momotaro, me dá um desses bolinhos de arroz?” e ele responde “Me ajuda a matar os demônios que eu te dou um” – tipo, “oi, vem correr o risco de morrer nas mãos de um zilhão de demônios, se der certo eu te dou um bolinho de arroz!” NEGOCIÃO!=P]

Só achei os vídeos assim… um toca a primeira metade da música, o outro tem umas crianças cantando a segunda metade =P

Momotarō-san, momotarō-san
Okoshi ni tsuketa kibidango
Hitotsu watashi ni kudasai na?
Agemashou, agemashou
Ima kara oni no seibatsu ni
Tsuite kuru nara agemashou

35. Seu dentista, médico ou oculista é nissei.
36. Você deixa de fazer certas coisas porque pode ser que “bati ga ataru”. (volta pra você) Não acredito nisso… mas, assim, eu não saio dando chutes a esmo pela rua, que daí eu sei que volta MESMO pra mim! xD
37. Você chama os brasileiros de gaijin (estrangeiro). Tento me controlar, mas é automático =P
38. Por mais que você queira, não pega o último pedaço de bolo (ou de qualquer outra coisa) por que tem que fazer enjyo (auto-restrição, para mostrar “bons modos”). Ah, meu… nem ligo; meu lado ogra fala mais alto e eu vivo de comer o último pedaço porque, nada a ver né?, vai ficar desperdiçando? =p
39. Por pior que seja o seu japonês, você sabe o que significa shi-shi e unkô. (“xixi” e “cocô”) Bobagem a gente aprende rapidinho xD
40. Sua avó ou sua mãe guarda de tudo quanto é tralha porque pode ser que possa ser útil algum dia. EU faço isso! Shame on meeeee!!!!
41. Você usa mimi-okaki (palitinho, tradicionalmente feito de bambu; assim) para limpar as suas orelhas ou a vareta para coçar as costas. Morro de medo de mimi-okaki. Como eu sei que sou meio destrambelhada, pra quê arriscar furar o tímpano, né?
42. Para os homens: como adolescente (ou mesmo homem maduro) você tentou criar bigode ou barba, mas desistiu porque a sua sobrancelha era a parte mais peluda do seu rosto (não vale para os que são de Okinawa). Todos os homens da minha família! huahuahauahuahauhauaa – exceto meu bisavô que, pelas fotos que vi, era barbudaço!
43. Para as mulheres: você deve antecipar os desejos e as necessidades dos homens, mesmo que eles mesmos não saibam o que querem. Você é nissei (filho/a de imigrante japonês), se consegue fazer isso, mas com certo ressentimento. Você é sansei (neto/a de imigrante japonês) se você não tem a mínima idéia do que isso significa e não está nem aí. Você é yonsei (bisneto/a de imigrante japonês) se você acha que são os homens que devem te servir. Sou 75% sansei e 25% yonsei, então não dou a mínima pra isso, e quando eu quero algo, admito que prefiro mesmo que façam pra mim! xP
44. Você sabe que tem de parar de fazer barulho quando você escuta yakamashiii. Urusai também
45. Sua avó fazia zabutom pro pessoal usar para sentar. Nunca compramos zabutom em casa; sempre foi home made! A maioria das almofadas também! huahauhauhaa
46. Você assistia a filmes japoneses no Jóia, Niteroi, Nikkatsu ou Nippon. Ou no cinema-kan da sua cidade. Isso não é do meu tempo – mas meus pais iam a esses lugares sim
47. Você tem aparelho de karaokê em casa. Não, e espero NUNCA ter
48. Você ouviu palavras como takai (caro), abunai (cuidado, é perigoso), urusai (barulhento, cala a boca, tá enchendo o saco), gamam (paciência, perseverança, resistência), shikata-ga-nai (forma de se fazer algo) de seus pais e avôs. Damee [não pode, proibido], shoganai [não há nada a se fazer], kitigai [louco, demente, anormal], daijobu [tudo ok, tranquilo], bakatare [forma mais branda de baka] e baka [idiota, bobão] também
49. Apesar de ser uma mulher de trinta, nos bares pensam que você é uma adolescente. Eu não tenho 30, mas ano passado me perguntaram se eu tinha 19 anos… na verdade, eu não pareço mais nova do que sou, essa vez foi uma exceção
50. Você costuma ouvir o seu nome ou sobrenome pronunciado de pelo menos seis maneiras diferentes E todas, quase sempre, erradas =P

Feliz (quase) Natal

Tá, o Natal já foi, mas enfim…

Eu não consigo entrar no clima de Natal aqui. Tem enfeite nas lojas e tal, mas NÃO ROLA clima natalino nesse país. Enfeite de Natal na rua? Uma ou outra luzinha [em cidades maiores até rola mais enfeite, mas aqui, cidadezinha do interior com pouco mais de 110 mil habitantes… sério, não rola. [Rá! Onde vim parar? Saí de São Paulo, num país com tradição católica, que tem SÓ 11 milhões de habitantes a mais que Komatsu, num país primordialmente xintoísta e budista, e tô esperando clima natalino? =P]

Ceia de Natal? Não existe. Naaaaada do que minha família costuma fazer nessa época, lá no Brasil, existe por aqui. Peru assado? Não. Tender com abacaxi ou laranja? Não. Lombinho recheado? Não. Arroz com passas? Não. Panetone? Não. Chocotone? Não. Rabanada? Não. Castanhas? Não. Camarão com molho de catupiry? Não [mesmo porque NÃO EXISTE catupiry por aqui! Pavoroso!]. Salada de maionese? Não. – chega, fiquei com fome só de lembrar …=P

Natal com a família? Só a brasileirada mesmo. E os católicos [sejam japoneses, peruanos, etc.]. Aqui, japonês passa o Natal trabalhando. É um dia normal, como outro qualquer. Quando rola algum tipo de comemoração, é homem com mulher [ou mulher com mulher ou homem com homem, vai saber a preferência], em motel. Árvore de Natal? De novo, só quem tem o costume. E em algumas lojas de departamento e shoppings. Luzes na rua? Nope. Ou quase nada. Prédios enfeitados com luzinhas, como os da Paulista? Faz-me rir.


Isso non ecziste no Japón. (Fonte da imagem)

O que tem aqui é o Bolo de Natal [Kurisumasu Keeki ~ “Christmas cake”), que é, basicamente, um bolo parecido com pão de ló com cobertura de chantily e alguma fruta vermelha [normalmente, morango]. Só. Até existem algumas variações, mas o “clássico” é isso aí.

Tenho que dizer que eu ADORO esses bolos, mas, meu, NUNCA que isso me remete a Natal. Gosto porque é macio e não é muito doce. Na verdade, amo os doces do Japão, então sou suspeita pra falar qualquer coisa.


O bolo branco é o Bolo de Natal tradicional. Os outros são as variações. (Fonte) Olha o tamanhozinho desses bolos. Isso é que mata. Como essa gente consegue ser feliz pagando caro por uns bolos tão pequenos? [eu acho caro pagar cerca de 50 reais – pra mais- por um bolinho que tem o diâmetro mais ou menos igual ao diâmetro de uma pizza brotinho ~ ainda que esse seja o preço normal de qualquer bolo confeitado por aqui=P]

Ah! E tem os cartõs de Natal! Um mais fofo que o outro [e, óbvio, caros também]. Enfim. Natal no Japão não é muito mais que isso não.

Feliz quase Natal atrasado! =P

Gentileza

Nossa! Blog vivo e Miyuki quase viva [de molho; resfriado; sem voz; estado febril; argh! Wanna my life back!].

Enfim. Eu já ouvi dezenas de relatos de pessoas que sofreram preconceito no Japão por serem estrangeiros. Tenho que dizer que isso NUNCA aconteceu comigo.

O mais próximo que vejo disso é que toda vez que entro numa loja de roupas chamada Shimamura [uma espécie de C&A japonesa], eles começam a tocar umas músicas em português [dizem que aquilo é bossa nova, mas é tão esquisito, umas músicas que nunca ouvi na vida… e olha que eu gosto de bossa nova! =P.] Isso me incomoda bastante, porque dizem que isso é uma maneira de “alertar” os clientes japoneses de que “perigosos” brasileiros estão na loja.

Enfim, mas é aquela coisa: toda vez que eu entro lá, sempre tem uns brasileiros não-nikkeis [geralmente eu ando com alguns deles hohoho]. Como a japonesada vive me confundindo, achando que eu sou daqui da terrinha, um dia vou lá no Shimamura sozinha pra ver o que acontece. Sim, nada justifica o comportamento preconceituoso deles, mas depois que a gente vê que os brasileiros estão entre os estrangeiros que mais cometem crimes no Japão [apesar de ter havido uma redução considerável nos últimos anos], até dá pra entender o lado deles.

Whatever. Brisei e fugi do assunto. No final de setembro [ó há quanto tempo eu tô pra escrever aqui e não consigo huahauhaua], recebi uma carta de uma vizinha. Não só eu, mas todos os vizinhos. Essa vizinha é japonesa e sabendo que muitos dos vizinhos são brasileiros, ela teve o cuidado de mandar traduzir a carta e, junto do bilhete, deixou um omiyage [lê-se omiyaguê, que é uma lembrancinha; pode ser qualquer coisa: um lencinho, um biscoitinho, um sabonete, uma toalhinha…], que, no caso, foi um detergente de grapefruit [nem sabia que existia detergente de grapefruit! o_O].

Vou reproduzir aqui o bilhete [igualzinho, com todos os erros de português mesmo]:

DESCULPA PELO TRANSTORNO

Boa tarde!

Sou Taniguchi, moro na casa de frente a sua sacada. Como a casa que moro tem mais de 25 anos, devido ao desgaste apresenta estragos no banheiro (ofurô), na cozinha e o segundo andar, necessitando-se de reformas.

O serviço principal será a reforma do banheiro (ofurô), que antigamente era construído de concreto. Para demolir o concreto é necessário utilizar martelete que é muitíssimo barulhento.

#no início de outubro (mês 10/1 a 10/14) será realizada a demolição do concreto.
#o período da obra é previsto entre 10/1 a 12/6.

Foi pedido à construtora um serviço rápido e como a casa se localiza muito próxima do prédio de apartamentos as vibrações poderão ser intensas.

Os carros da construtora e o barulho podem atrapalhar seu cotidiano, porém se tiveres reclamações, favor comunicar-se com os responsáveis pela construção.

Trouxe esta carta para fazer o comunicado e gostaria a sua compreensão.

Eu também já trabalhei em turnos alternados (2 kotai e 3 kotai), por isto compreendo muito o incômodo que causarei com o barulho… não conseguirá dormir como sempre… ouvi falar tem têm pessoas que trabalham em turnos alternados.

Sinceramente pensei muito, preocupada com o incômodo que causarei, mas já faz 1 ano que o banheiro está estragado e os meus filhos estão cansados de ir todos os dias ao ofurô público para tomar banho.

Por este motivo peço a compreensão de todos e um profundo pedido de desculpas para as pessoas que têm bebês.

Muito grata!!

Agora, me fala: naonde que uma atitude dessa acontece no Brasil? Eu, sinceramente, nunca vi e nunca ouvi falar. Pelo contrário. Minha reação, ao receber esta carta foi, primeiro, de espanto. Depois, fiquei emocionada [sérião!] e embasbacada com a gentileza da sra. Taniguchi. Ainda estou embasbacada. Um dos meus vizinhos, brasileiro, comentou: “o que faz do Japão um país de primeiro mundo não é toda essa tecnologia nem o dinheiro; é a educação do pessoal”. E eu concordo.

Essa carta da vizinha foi só um exemplo, mas vira e mexe eu fico surpresa com a gentileza do povo daqui. Por exemplo: a empresa que faz o transporte dos funcionários de onde trabalho tem três motoristas que se alternam durante a semana; como eu moro “longe” do ponto do ônibus [um pouco menos de 10 minutos a pé], um deles sempre desvia do caminho na volta e nos deixa a apenas uma quadra de casa.

Quando chove muito, os outros motoristas também dão um jeito de desviar e fazer esse outro caminho. Antigamente todos eles faziam isso, mas algum brasileiro totalmente IDIOTA resolveu reclamar e os motoristas levaram uma comida de rabo bronca da chefia deles. Só que um deles, mais rebelde [e mais velho também! Mais de 70 anos!], falou: “Dane-se! Se quiserem me despedir, que despeçam! Eu faço esse trabalho não porque preciso, mas pra passar o tempo mesmo”. hauhauahauhauahauhauahuahauauhaa Esse mais rebelde também vive me dando balinhas, bolinhos… fui adotada! /o/

Em tempo: “kotai” é um termo que se usa quando se fala em “alternar”. Por exemplo, esses três motoristas que se alternam fazem “kotai”.

E quanto à reforma da sra. Taniguchi: eu não moro grudada nela; tem que atravessar a rua [mais pra ruela, tão pequena e estreita que é] pra chegar daqui até lá. O povo que mora grudado mesmo disse que ouviu barulho das marteladas só naquele período que ela especificou na carta e depois, nunca mais. Aqui em casa nós nunca ouvimos nenhum barulho vindo de lá. Impressionante!

É como dizia o Profeta Gentileza:
gentileza gera gentileza

Calçadas

Calçadas perto da estação de trem.

Essa parte mais escura da calçada é para os cegos. A pessoa enfia a bengala aí e vai seguindo a rua. Quando tem ponto de ônibus ou esquina, em vez de ter esse desenho, o piso fica com umas bolinhas [aí, dependendo do que for, a disposição dos “quadrados” -sei lá o nome disso- muda].

IGUALZINHO ao Brasil, hein! =P

Não que todas as calçadas daqui sejam assim [tem rua que nem tem calçada =P] , mas pelo menos as ruas principais dos centros são mais ou menos desse jeito.

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