100 anos

Tô (quase) viva e atrasada para comentar sobre o centenário.

Enfim… teve o centenário da imigração japonesa ao Brasil, blá blá blá, coisa que passou o tempo todo sem parar e todo mundo já sabe que aconteceu… Aqui no Japão, vi o começo de um documentário sobre isso, mas estava podre demais e acabei dormindo antes mesmo de o primeiro bloco terminar… sem falar que não estava entendendo nada… =P

Indo ao que interessa: entraram em circulação as moedas em comemoração ao centenário, de 500 ienes.

Antes, era para a moeda ser assim:

Essa imagem aí é a reprodução de uma estátua feita por uma mulher chamada Cláudia Fernandes, localizada em Santos.

O monumento:

O Monumento ao Imigrante, com personagens que representam uma família de japoneses, foi criado pela artista em 1998, nas comemorações dos 90 anos da imigração. Na época, a artista paulista venceu um concurso promovido pela Federação das Províncias do Japão no Brasil.

Este ano, a artista foi procurada pela comissão responsável pelas comemorações do centenário para produzir 250 troféus com a mesma imagem. Ela recebeu R$ 90 por unidade, além dos R$ 85 mil pagos pelo monumento que está em Santos. Mais tarde, descobriu pela internet que o governo japonês estaria produzindo moedas de 500 ienes (US$ 4,80) com uma imagem baseada na sua obra, sem sua autorização.

A comissão teria tentado convencê-la a assinar documentos cedendo os direitos autorais. “Ao ler o documento, percebi que os papéis incluíam não apenas os troféus, mas muito mais do que isso, inclusive as moedas, que já estavam produzidas”, diz a artista. Esta semana, uma equipe de TV procurou a artista para ouvi-la sobre a notícia de que o governo japonês teria desistido de colocar as moedas em circulação diante do risco de um processo por violação de direito autoral.
[fonte – Esse link tenta imprimir a página em questão; coisa irritante! É só cancelar.]

As autoridades japonesas pretendiam distribuir a moeda a partir de maio, acreditando que a escultura pertencia a uma associação de imigrantes de origem japonesa no Brasil.

Mas a associação descobriu que o escultor estava amparado por um direito sobre a utilização de sua obra e então pediu a Tóquio que alterasse o motivo da moeda.
[fonte]

O cônsul-geral-adjunto do Japão em São Paulo, Jiro Maruhashi, representante do governo japonês em São Paulo, confirmou que o governo daquele país cunhou as moedas com base nas informações erradas da Federação das Associações das Províncias do Japão no Brasil e, mais tarde, da ACCIJB. Maruhashi classifica o tropeço de “ocorrência infeliz”.

“O Japão não tinha intenção de infringir ou violar direito autoral.”

O presidente do Comitê Executivo da ACCIJB, Osamu Matsuo, afirmou que a associação e a federação achavam deter os direitos para usar a imagem na cunhagem e, por isso, liberaram o projeto. “É uma pena. Nós fizemos tudo com boas intenções. O governo queria comemorar usando o desenho, pensando que estivesse tudo direito.”
[fonte]

Problema resolvido [ou não =P], a moeda agora é assim:

Isso aí é um ramo de sakura [flores de cerejeira] e um ramo de café. Essa coisa escrita em japonês com o número 20 na parte inferior da moeda indica que se trata do ano 20 da Era Heisei. Ou seja: este ano, 2008, é o vigésimo ano do reinado do atual imperador, Akihito, que começou em 8 de Janeiro de 1989 [A conta não está errada; aqui conta-se o primeiro ano também, ou seja, 1989 foi o ano 1 da Era Heisei. Na verdade, isso é uma droga, porque, pela contagem japonesa, eu tenho um ano de idade a mais do que aprendi que tenho… ou seja, aqui virarei balzaca um ano antes do que no Brasil! Buááá! =P].

Sakura:

Café:

E o verso da moeda mostra o Kasato Maru, o navio pioneiro dos imigrantes, com o mapa da América do Sul, com o Brasil em destaque, ao fundo:

Kasato Maru:

O nível de detalhes da moeda impressiona. Trabalho com microscópio, então analisei a moeda com meu instrumento de trabalho… hohoho

As pétalas da sakura estão impecáveis, embora o pé de café esteja meio estranho. Acho até que o desenho esteja parecido mesmo com um ramo de café, mas, sei lá…

No Kasato Maru, é possível ver direitinho as redes, a âncora e o nome, em letras romanas e em kanji, da embarcação. O kanji eu só consegui ver no microscópio. =P

Pensei em comprar umas moedas e mandar pra uma galera que ficou no Brasil, mas a brincadeira ia ficar MUITO cara e acabei comprando só para três amigos, que são descendentes de japoneses e que são mais próximos a mim. O resto fica chupando dedo porque, afinal, também tenho avós e tios que vão ganhar a moeda e minha carteira não é nenhuma cornucópia [infelizmente =P].

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Este post foi uma coisa meio besta, mais para dizer duas coisinhas:

1. Bia, Déba e Gushi, vocês ganharão um presentinho! =D

2. As moedas de 500 ienes custam exatamente 500 ienes e são válidas como dinheiro de verdade em todo o território japonês. Sim, o cidadão pode comprar um par de meias ou uma cerveja com um pacote de amendoim com essa moeda, DIFERENTEMENTE da moeda de 2 Reais, que é enfeite e que custa 24 Reais. Fala sério, meu! >=PPPPP

Em tempo: A moeda-enfeite brasileira tem o Kasato Maru de um lado e a imagem de uma imigrante colhendo caqui, fruta introduzida no Brasil pelos japoneses, de outro.
[O que me faz pensar na piada mais estúpida EVER! “O que é um pontinho laranja pulando na mata? R: É um caqui-pererê” ~~~shame on me! u_u’]

Se, por um lado, gostaria de ter essa moeda de 2 Reais, por outro, recuso-me a gastar 24 paus com isso… um roubo! =PPP

~~~Ah! NENHUMA das fotos desse post é minha. Acho que as baterias da minha câmera pediram arrego de vez! Quem é que merece? T_T’

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